terça-feira, 2 de outubro de 2012

Andante Morento




Andante Morendo

Por onde anda?
Onde está?
Em que mundo foi?
Em que dimensão parou?
Pra onde o destino o levou?
Ele as tardes passava,
Cada minuto e segundo,
Seguindo parado,
Aos pés do piano,
Com olhos de suplício,
Sofrendo em silêncio.
E lá estava ela,
Com um pedaço da alma em cada tecla,
Uma lágrima em cada Nota,
Sentimento em cada Compasso,
O coração em Contratempo com a canção,
A dor do Pianissimo na consumação,
Um grito Staccato em cada sincopada respiração,
Agora a dor é Sostenuto,
Precisa-se de uma Pausa,
E por favor, uma Fermata.
Mas eis que o Adagio acabou,
Morento e Expressivo se calou,
Até o último fraseado,
Até o dissipar do último som,
Nas cordas tristes do velho piano
Agora Rallentando
Um dia Moderato,
Mas nunca mais Agitato.

2 comentários:

  1. Cada vez que leio ou ouço este poema meu coração dói, toca profundamente. Muito boa.

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